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Os pais e a aprendizagem da leitura dos filhos IV – A biblioteca da escola

Setembro 12, 2007 por materialdidactico

Josette Jolibert

Formar crianças leitoras

Porto, Ed. Asa, 2003

Excertos adaptados

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A biblioteca da escola

Quando estamos convencidos de que a biblioteca da escola é um lugar e um instrumento indispensável, há que fazer dela um projecto-realização de toda a escola: crianças, professores e pais, inclusive.

Começamos por falar em bibliotecas, documentamo-nos, vamos ver funcionar uma numa escola. Recolhemos informações, isto é, pistas de onde podemos arranjar material recuperável (madeira, alcatifa que se deitou fora depois das grandes exposições públicas, por exemplo), pedimos informações aos amigos e colegas, contactamos os organismos sobre possíveis subsídios, empréstimos de livros e ofertas. Depois de termos «mastigado» muito bem tudo isto, em todos os sentidos, lançamo-nos oficialmente na operação.

Há reuniões em cada turma, seguidas de conselho de escola, onde estão presentes os delegados das turmas, dos professores e dos pais, para definir com o maior rigor possível:

·       o que se espera da biblioteca;

·       o que é que se quer fazer dela;

·       em que local e com que recursos se vai instalar e manter;

·       como alimentá-la;

·       que actividades de animação se poderão organizar.

Em seguida, passa-se à realização prática:

·       calendarização das actividades;

·       distribuição das tarefas.

A nossa finalidade não é descrever aqui, pormenorizadamente, a organização e o funcionamento de uma BCD, tanto mais que as realizações são muito diversas de uma escola para outra, conforme as possibilidades, a convicção e o empenhamento de cada um.

Queremos, antes, insistir em alguns aspectos:

·       A organização de uma biblioteca-centro de documentação pode ser um projecto-realização muito mobilizador e aglutinador para o conjunto de pessoas nele envolvidas, incluindo os pais.        
É importante que a calendarização das actividades se concentre num tempo limitado, não permitindo que se arraste, para evitar que a biblioteca possa ser utilizada apenas… no trimestre seguinte ou no ano seguinte.

·       Para se lançar o projecto não é preciso ser-se muito rico, mesmo que seja necessário pedir subsídios e ajudas diversas e, porque se recusa, na medida do possível, o romantismo do miserabilismo. Fabricar móveis com os pais, depois de feitos os planos e os modelos, é mais acessível e pode ser tão interessante como a compra de mobiliário. Por isso, é preferível reservar a maior parte do dinheiro que se conseguir obter para a compra de livros, publicações, revistas e assinaturas.

Deve-se então:

·       encarar a animação da biblioteca desde o projecto da sua instalação e não instalá-la primeiro, dizendo que se animará em seguida;

·       dedicar o maior cuidado à relação entre a vida, as actividades das turmas e as da biblioteca da escola;

·       encarar também este espaço como lugar de vida central da escola, onde se podem organizar exposições, debates, relatos de viagens, momentos de poesia, etc., para as crianças, mas também para os adultos, depois das 17 h ou das 20 h;

·       proceder de forma a que a BCD não seja um local que crianças e adultos utilizam como consumidores mas um local que eles administram, animam e de que são responsáveis (eles: crianças e adultos).

 

A exposição-venda de livros

É um empreendimento com vários objectivos:

·       dá a conhecer a literatura infantil de qualidade que, geralmente, não se encontra nem nos supermercados nem nos quiosques de jornais, e ainda as publicações mais recentes. É uma exposição onde se pode passear, sentar e folhear livros. Mas é também uma venda para aqueles que querem comprar. A exposição-venda deve realizar-se em momentos estratégicos: antes do Natal ou antes das férias grandes, quando famílias e amigos procuram obras para oferecerem às crianças. Basta combinar com as editoras os livros a fornecerem, assegurar as encomendas e o lucro destinado à escola;

·       é também uma festa do livro onde podem convergir as produções das turmas, álbuns, exposições, BD, espectáculo de fantoches, etc., realizadas no âmbito da literatura infantil. Podem convidar-se autores, ilustradores, bibliotecários, etc.;

·       é ainda uma ocasião muito interessante para integrar os pais na vida da escola;

·       é, finalmente, uma fonte de lucros a não desprezar para enriquecer a BCD (ver atrás).

Pode ser, portanto, um grande projecto-realização de uma escola ou de duas escolas próximas executado, ao mesmo tempo, por crianças, pais e professores.

E em Portugal, o que se pode também fazer?

Publicado em comportamentos, contos, crianças, descoberta da leitura, dinamização da biblioteca, educação, escola, família, importância da leitura, jovens, livros, pedagogia, prazer de ler | Sem comentários ainda

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