Josette Jolibert
Formar crianças leitoras
Porto, Ed. Asa, 2003
Excertos adaptados
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Ao encontro dos livros
- O canto de leitura
O arranjo do canto de leitura é um dos primeiros projectos de turma do início do ano.
Ordenação dos livros para os conhecer
A ordenação não é aqui a primeira finalidade. As crianças são colocadas perante os livros, a monte, e devem ordená-los como quiserem: por assuntos, colecção, cor, formato… O importante é que mexam neles para se apropriarem do «stock».
- Encontro semanal
Durante o encontro semanal, o professor apresenta um ou vários livros novos, podendo ler o princípio da história, fazer um resumo sucinto ou apresentar as personagens com o objectivo de atrair as crianças, aguçar-lhes o interesse e o desejo de ler a continuação da história. Passado algum tempo, são as próprias crianças que apresentam aos colegas um livro que leram e lhes agradou.
- Organização de jogos de adivinhas (grupo de cinco ou seis alunos)
Um pequeno grupo procura: o livro em que a galinha vermelha pede aos outros animais para a ajudarem a fazer um bolo; todos os livros que, no título, têm o nome de uma cor, um nome próprio, o livro que, na página 16, fala de um rato, etc.
A apropriação do próprio canto da leitura
- As crianças decidem onde e como podem instalar o canto de leitura na aula (alcatifa, almofadas, ou simplesmente mesas e assentos adequados ao seu tamanho).
No decurso do ano, podem decidir mudá-lo para outro local ou modificar-lhe a organização. - Para isolar o canto de leitura do resto da sala de aula, devem utilizar-se, ao máximo, os recursos que o material escolar proporciona. As costas do armário podem servir de expositor (bastam dois suportes de prateleiras, elásticos, alguns pregos e um martelo). Em vez de verem apenas a lombada do livro, as crianças descobrem imediatamente a capa, e, portanto, a ilustração, as cores, o título, aquilo que, na realidade, mais os atrai.
- Os livros do expositor são substituídos todas as semanas. Este momento deve ser respeitado como um ritual. Os outros livros estão colocados em caixotes, em prateleiras improvisadas (tijolos e tábuas), ou num armário sem portas…Um quadro-expositor permite apresentar poemas em cartazes ou histórias que se inventaram.
Que escritos no canto de leitura?
· Escritos imaginários: contos, álbuns de literatura infantil, pequenos romances, pequenas histórias. Contos dos países de onde são originárias as crianças imigrantes (Portugal, Argélia, Turquia…), com alguns exemplares bilingues ou na língua original, são também de incluir neste canto de leitura.
· Poemas, comptines (lengalengas): para que várias crianças possam ter acesso a estes escritos, não deve haver apenas um único livro. As páginas podem ser separadas e coladas em folhas de cartão, com as quais se organiza um ficheiro.
· Livros de receitas de cozinha, de trabalhos manuais.
· Catálogos e revistas para recortar.
· Revistas de informação.
· Bandas desenhadas.
· Jornais para crianças: a turma é assinante de uma ou várias publicações infantis (Jeunes, Magazin, Amis-Coop, Jeunes Années, Toboggan, Pomme d’Api ou Astrapi). Todos os meses chega, pelo correio, uma encomenda. As crianças descobrem o prazer de serem assinantes!
· Jornais diários ou semanários (trazidos pelas crianças quando falam de um assunto da actualidade que as interessa).
· Álbuns onde estão incluídas as produções escritas das próprias crianças ou dos seus correspondentes: histórias, contos, poemas, etc.
Que actividades relacionadas com o canto de leitura?
· As crianças: lêem por prazer, sem ter que dar conta nem ao professor nem aos colegas; podem ser vários a folhear a obra; requisitam livros para casa, preenchendo uma ficha individual com o título da obra, organizando, assim, por autogestão, o ficheiro de empréstimos.
E empresta-se um belo álbum novinho a um miúdo de cada vez e ele compromete-se a entregá-lo impecável. Isto acontece no início do ano e permite à criança familiarizar-se com o objecto-livro e efectuar trocas com a família. Quando toda a gente já leu o livro, fala-se dele em conjunto.
O livro ou a história (completa ou incompleta) lido(a) em casa ou pela professora pode depois ser apresentado(a) na aula. Também uma mãe portuguesa ou um irmão mais velho argelino podem vir contar um conto às crianças na sua língua de origem e, em seguida, falam dele.
As crianças organizam uma mini-exposição acerca de um tema. Ex: depois da leitura do conto «Les mésaventures de Souricette», um grupo procura contos, lengalengas, poesias, informações sobre o rato. As outras crianças são convidadas a visitar esta exposição.
É possível ainda dar vida ao canto de leitura por meio de algumas palavras, um desenho, uma BD, afixados num quadro especial, com o título e a assinatura da criança-autora; o livro serve de referência, de estímulo para «escrever» àquele que acaba de ler, estímulo para «ler» para os outros…
O essencial para nós é que o canto de leitura não seja o canto «onde se vai quando se termina o trabalho», mas que seja vivo, familiar, explorado, continuamente renovado.
Segue: A biblioteca da escola