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Os pais e a aprendizagem da leitura dos filhos II – Pais colaboradores

Setembro 12, 2007 por materialdidactico

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Pais colaboradores

Em primeiro lugar, é preciso responder à pergunta dos pais: «O que é que podemos fazer em casa?» Começamos pelo que não se deve fazer: transformar os serões em trabalhos forçados de leitura para os filhos e para os pais: pedir aos filhos que decifrem, sílaba a sílaba, um texto-teste que não teria para eles outro sentido senão «mostrar o que sabem fazer». Numa palavra, convidamos os pais a evitarem dramatizar a aprendizagem da leitura.

Em contrapartida, sublinhamos o interesse de ler naturalmente com os filhos tudo o que faz parte da vida familiar e responde a uma necessidade: as embalagens de alimentos, os anúncios das lojas, as placas de sinalização nas ruas ou nas estradas, os programas de TV, a publicidade, etc.

Alguns pais falam da satisfação de terem um filho curioso perto deles ou no colo, quando folheiam o jornal diário ou um semanário. Em todos estes casos, os pais não devem obrigá-los a ler tudo, nem a soletrar, mas ajudá-los a «adivinhar cada vez mais correctamente» o sentido do que os interessa, recorrendo a indícios que são justificados em conjunto.

Dizemos também aos pais como é importante que eles leiam histórias aos filhos ou folheiem com eles um álbum de leitura infantil, levando-os a dizer o que imaginam que se vai passar na página seguinte quando ela for virada.

Alguns pais imigrantes podem contar aos filhos contos do país de origem ou folhear com eles «um livro da biblioteca» que trouxeram para casa. Os irmãos e as irmãs mais velhos podem fazê-lo também. Nas famílias em que se lêem jornais ou folhetos em árabe, por exemplo, deve-se fazer ver aos filhos que o escrito não é exclusivo da língua do país que os acolhe.

Em resumo, que haverá de mais simples, de mais agradável, do que partilhar com os filhos os diversos encontros com o escrito, na vida diária? E porque não aproveitar momentos afectivamente privilegiados à volta de narrativas imaginárias? Mas atenção: que os pais bem intencionados não criem nos filhos a obsessão da leitura e que não façam como aqueles que diziam aos filhos que poderiam comer o «bolo» quando tivessem lido o que estava escrito na caixa!

Os pais são igualmente os nossos correspondentes privilegiados, os nossos colaboradores regulares, como destinatários dos escritos da turma ou da escola. São-lhes dirigidas as cartas, os cartazes de informação, os convites, o jornal escolar, os pedidos de receitas, de material ou de instruções. Inversamente, pedimos-lhes que, sempre que possam e isso não seja artificial, nos respondam por escrito, que ponham à nossa disposição toda a documentação escrita susceptível de nos interessar.

Além disto, sempre que podemos, procuramos levar mais longe, e mais colectivamente, a nossa colaboração de cúmplices em leitura com os pais, propondo-lhes que:

  • participem na instalação da biblioteca-centro de documentação (BCD) não apenas para fabricarem prateleiras, almofadas ou conseguirem subsídios, mas também para escolherem, com as crianças e connosco, livros, revistas, assinaturas e ainda para colaborarem na gestão e animação desta BCD.           
    A presença dos pais verifica-se de forma diferente de uma escola para outra ou de um bairro para outro: há pais que ajudam as crianças a orientarem-se na BCD ou a percorrerem um álbum com um pequeno grupo ou a lerem uma história; há mães portuguesas que vêm contar contos (em português) a uma turma simultaneamente apaixonada e questionante;

  • preparem, com as crianças e connosco, uma exposição-venda de literatura infantil. É um excelente meio, tanto para os pais como para nós próprios, de descobrir literatura de qualidade que não se vê nem nos supermercados nem nos quiosques da estação de comboio ou do metro e que nem sempre se tem a possibilidade de folhear numa biblioteca municipal. A época do Natal, em que os pais procuram livros para oferecer aos filhos, é a ocasião oportuna para se substituírem, por outra literatura, os eternos contos de Perrault e livros como «Daniel e Valérie», «Martine» ou «Clube dos Cinco».      
    Acrescentemos que a escolha de livros para a BCD ou para uma exposição-venda é uma ocasião insubstituível para falarmos em conjunto com pessoas mais bem informadas do que nós, bibliotecários ou livreiros, dos critérios de escolha de uma obra, do papel do imaginário na formação da personalidade das crianças, das qualidades exigidas para uma boa obra de documentação.
    Nem todos os pais estão igualmente implicados na escola e no sucesso escolar dos filhos. Por isso, é conveniente procurarmos actividades diferenciadas que permitam a cada um encontrar um lugar onde se sinta à vontade, seja criativo e eficaz (desde o pai que trabalha em informática até à mãe portuguesa).

  • Compreender-se-á, sem dúvida, que a nossa finalidade não é «mandar calar os pais», convidando-os uma vez, no início do ano, a virem «compreender» o que fazemos e como somos bons professores modernos.

Livros: multiplicar e diversificar os encontros

A vida quotidiana e os projectos-realizações fornecem muitas oportunidades de ler e escrever, mas, além disso, parece-nos necessário ter projectos-livros mais específicos, destinados simultaneamente a:

  • enriquecer o meio de vida;
  • abordar melhor o mundo dos livros e o livro-objecto;
  • desenvolver o imaginário.

 

 Segue: Ao encontro dos livros

 

 

Josette Jolibert

Formar crianças leitoras

Porto, Ed. Asa, 2003

Excertos adaptados

Publicado em comportamentos, contos, crianças, descoberta da leitura, educação, escola, família, histórias, importância da leitura, jovens, livros, pedagogia | No Comments Yet

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    À descoberta da importância do acto de ler e dos diferentes mundos por este revelados.
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